Assédio Moral no Trabalho: Como Identificar, Provar e Quanto Vale a Indenização

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O assédio moral no trabalho é uma realidade que afeta milhões de trabalhadores brasileiros todos os anos. Segundo dados do TST (Tribunal Superior do Trabalho), é uma das principais causas de ações trabalhistas no país.

O que é assédio moral no trabalho?

Assédio moral é a exposição do trabalhador a situações humilhantes, constrangedoras, vexatórias e ofensivas de forma repetitiva e prolongada, durante o horário de trabalho e no exercício de suas funções. O assédio pode ser vertical (de superior para subordinado), horizontal (entre colegas) ou ascendente (de subordinado para superior).

Exemplos de assédio moral no trabalho

  • Cobranças excessivas e vexatórias em público
  • Gritos, xingamentos e humilhações diante de colegas
  • Isolamento do funcionário, negando informações ou excluindo de reuniões
  • Atribuição de tarefas degradantes, impossíveis ou abaixo da qualificação
  • Ameaças constantes de demissão
  • Vigilância excessiva e perseguição
  • Piadas e comentários depreciativos sobre raça, gênero, religião ou aparência
  • Fazer “vaquinha” para pressionar demissão (bullying para o funcionário pedir demissão)

Como provar o assédio moral?

Esta é a maior dificuldade nas ações de assédio moral. As principais provas são:

  • Testemunhas: colegas de trabalho que presenciaram as situações (mesmo ex-funcionários)
  • Mensagens de WhatsApp: prints de mensagens humilhantes ou ameaçadoras
  • E-mails: comunicações com linguagem agressiva ou discriminatória
  • Gravações: áudio ou vídeo das situações (verifique a legalidade com um advogado)
  • Atestados médicos: laudos de psicólogo ou psiquiatra que correlacionem os transtornos ao trabalho
  • Documentos da empresa: advertências infundadas, transferências punitivas etc.

Quanto vale uma indenização por assédio moral?

Após a Reforma Trabalhista de 2017, os valores de indenização por danos morais trabalhistas passaram a ser tabelados com base no salário do empregado:

Grau da ofensaValor máximo (salários)
Ofensa de natureza leveAté 3 salários
Ofensa de natureza médiaAté 5 salários
Ofensa de natureza graveAté 20 salários
Ofensa de natureza gravíssimaAté 50 salários

Atenção: esses são os limites, não os valores fixos. O juiz avalia cada caso individualmente, considerando o grau da ofensa, a reincidência e o impacto na vida do trabalhador.

O que fazer se você está sofrendo assédio moral?

  1. Documente tudo: anote datas, horários, locais e quem presenciou cada situação
  2. Guarde provas digitais: prints, e-mails, áudios (se legais)
  3. Fale com o RH: registre formalmente a reclamação por escrito
  4. Consulte um médico: se estiver afetando sua saúde, faça acompanhamento e guarde atestados
  5. Procure um advogado trabalhista: para avaliar as provas e a viabilidade da ação

Posso pedir demissão por assédio moral (rescisão indireta)?

Sim! Se o assédio moral for comprovado, você pode pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho (artigo 483 da CLT), que é como se a empresa tivesse cometido a demissão — e você recebe todas as verbas da demissão sem justa causa, incluindo multa do FGTS e seguro-desemprego.

Perguntas Frequentes sobre Assédio Moral

Pressão por metas é assédio moral?

Cobranças por resultado são inerentes ao trabalho e não configuram assédio por si só. Mas quando as cobranças são feitas com humilhação, ameaças, gritos ou exposição pública do funcionário, podem sim configurar assédio moral.

Assédio moral é crime?

No âmbito federal, o assédio moral no trabalho privado ainda não tem tipo penal específico — mas gera responsabilidade civil (indenização). Algumas cidades e estados possuem leis que criminalizam o assédio moral no serviço público.

Quanto tempo tenho para entrar com ação por assédio moral?

2 anos após o fim do contrato de trabalho (prescrição trabalhista). Durante o contrato, pode agir a qualquer momento.

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