Um candidato à Presidência disse, em evento com empresários em Brasília, que “a CLT já era” e defendeu o fim da Justiça do Trabalho como especializada. A fala viralizou e assustou trabalhadores em todo o país. Mas, afinal, isso pode acontecer de verdade? E o que você perderia se acontecesse?
Neste artigo explicamos, sem juridiquês, o que está em jogo, o que a CLT garante hoje e por que a Justiça do Trabalho existe.
Sumário
- O que aconteceu: a proposta de acabar com a CLT
- É só proposta ou pode virar lei agora?
- O que a CLT garante e que se perderia sem ela
- Para que serve a Justiça do Trabalho
- O STF já mexeu nesse tema antes
- O que fazer para proteger seus direitos agora
- Perguntas frequentes

O que aconteceu: a proposta de acabar com a CLT
Em agosto de 2026, durante um evento de candidatos à Presidência organizado por uma entidade patronal em Brasília, um pré-candidato defendeu publicamente o fim da Justiça do Trabalho como ramo especializado, dizendo que as disputas trabalhistas deveriam ser resolvidas na Justiça Comum, como qualquer contrato civil.
Ele também declarou que “a CLT já era” e propôs discutir modelos alternativos à CLT, com pagamento por hora e menos regras trabalhistas, alegando que isso reduziria o chamado “Custo Brasil” e estimularia contratações.
O mesmo candidato criticou a recente discussão sobre o fim da escala 6×1, chamando a proposta de redução de jornada de “loucura”.

É só proposta ou pode virar lei agora?
Por enquanto, é só proposta de campanha. Nada mudou na legislação. A CLT continua em vigor exatamente como está, e a Justiça do Trabalho continua funcionando normalmente, julgando ações de trabalhadores em todo o país.
Para que uma mudança desse tamanho aconteça de verdade, seria necessário:
- Aprovação de lei ou emenda constitucional pelo Congresso Nacional, com quórum qualificado em muitos casos.
- Ampla discussão pública, já que mexeria em uma estrutura de proteção ao trabalhador que existe desde 1943.
- Provável judicialização, com a questão podendo chegar ao STF para análise de constitucionalidade.
Ou seja: é um debate político relevante para as eleições, mas está longe de ser uma mudança automática. Fique atento, mas não entre em pânico: seus direitos trabalhistas continuam valendo normalmente hoje.
O que a CLT garante e que se perderia sem ela
Vale relembrar por que a CLT importa tanto no dia a dia de quem trabalha registrado. Entre outras garantias, ela assegura:
- Carteira assinada e reconhecimento do vínculo empregatício.
- Décimo terceiro salário e férias remuneradas com adicional de 1/3.
- FGTS e multa de 40% em caso de demissão sem justa causa.
- Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.
- Limite de jornada, horas extras e adicional noturno.
- Licença-maternidade e paternidade.
- Estabilidades provisórias, como gestante, acidentado e dirigente sindical.
- Seguro-desemprego em caso de demissão sem justa causa.
Um modelo “por hora” sem essas garantias, nos moldes sugeridos por quem defende o fim da CLT, tende a transferir o risco do negócio para o trabalhador, que perderia previsibilidade de renda e proteção em caso de doença, acidente ou demissão.
Para que serve a Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho existe desde 1941 exatamente porque as relações de trabalho não são iguais a um contrato entre duas empresas. Existe uma diferença de poder entre quem emprega e quem depende do salário para viver, e a legislação trabalhista foi criada para equilibrar essa relação.
Levar essas disputas para a Justiça Comum, sem juízes especializados em direito do trabalho, tende a tornar os processos mais lentos, mais caros e menos acessíveis para o trabalhador, que hoje conta com a gratuidade de justiça em boa parte dos casos trabalhistas.

O STF já mexeu nesse tema antes
O debate sobre flexibilizar regras trabalhistas não é novo. O STF já julgou temas sensíveis envolvendo dispensa de trabalhadores, terceirização e pejotização nos últimos anos, com decisões que, em alguns pontos, favoreceram maior liberdade contratual das empresas.
Isso mostra que a discussão sobre até onde vai a proteção da CLT é constante, e por isso é importante o trabalhador acompanhar de perto tanto as decisões judiciais quanto as propostas legislativas que podem afetar seus direitos, especialmente em ano eleitoral.
O que fazer para proteger seus direitos agora
- Saiba que, hoje, a CLT e a Justiça do Trabalho continuam valendo integralmente.
- Guarde seus contracheques, contrato de trabalho e comprovantes de jornada, eles são sua prova em caso de disputa futura.
- Se a empresa já está tentando descumprir a CLT na prática, com pejotização disfarçada ou pagamento por fora, procure orientação jurídica.
- Acompanhe o debate eleitoral e cobre dos candidatos posições claras sobre direitos trabalhistas.
Perguntas frequentes
A CLT acabou ou vai acabar em 2026?
Não. A CLT continua em vigor normalmente. O que existe é uma proposta de campanha eleitoral, sem qualquer efeito jurídico até agora.
A Justiça do Trabalho pode ser extinta por decreto do presidente?
Não. A extinção de um ramo do Judiciário previsto na Constituição Federal exigiria emenda constitucional, aprovada pelo Congresso Nacional com quórum qualificado, e não pode ser feita por decreto.
Se eu fui demitido antes de qualquer mudança, meus direitos estão garantidos?
Sim. Direitos já adquiridos durante a vigência da CLT são protegidos e podem ser cobrados na Justiça do Trabalho normalmente, respeitado o prazo de prescrição de dois anos após o fim do contrato.
Trabalhar “por hora”, sem CLT, é sempre pior para o trabalhador?
Depende do modelo, mas em geral a ausência das garantias da CLT (FGTS, férias, 13º, estabilidade) transfere mais riscos financeiros e de saúde para o trabalhador, que fica mais vulnerável em caso de doença, acidente ou queda de renda.
Enquanto o debate eleitoral segue, o seu direito de cobrar da empresa o que já está previsto em lei continua valendo. Se você suspeita que seus direitos estão sendo desrespeitados, a RINA Advogados pode te ajudar a entender a situação e buscar o que é seu por direito.
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