Pai segurando a mão do filho ao caminhar ao ar livre

Pai ou Mãe Atípico: Você Pode Reduzir a Jornada de Trabalho para Cuidar do Filho com Deficiência?

🕒 Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Se você é pai ou mãe de um filho com deficiência ou dentro do espectro autista, sabe como é difícil conciliar consultas, terapias e cuidados diários com uma jornada de trabalho de 8 horas. Muitos trabalhadores nem imaginam que já existem caminhos legais para pedir horário reduzido ou mais flexível.

Ainda não existe uma lei federal específica na CLT garantindo esse direito para o setor privado, mas isso não significa que você esteja desamparado. Entenda o que já vale hoje e o que está prestes a mudar.

Sumário

O que vale hoje, mesmo sem lei específica

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece o princípio da adaptação razoável, que obriga empregadores a fazer ajustes que garantam a inclusão e o bem-estar de pessoas com deficiência e de quem cuida delas, desde que isso não gere ônus desproporcional para a empresa.

Com base nesse princípio e no direito constitucional à dignidade da pessoa humana, o Tribunal Superior do Trabalho já reconheceu, em decisões específicas, o direito de trabalhadores com filhos que exigem cuidado indispensável a terem jornada reduzida, horários alternados ou até trabalho remoto.

É importante entender que essas decisões são analisadas caso a caso. Não existe ainda uma garantia automática igual à que existe, por exemplo, para gestantes. Por isso, reunir laudos médicos e provas da necessidade de cuidado constante faz toda a diferença.

Mãe passando tempo com filho com deficiência em casa
Decisões judiciais já reconhecem o direito à jornada reduzida com base na dignidade da pessoa humana.

O projeto de lei que está avançando no Congresso

O Projeto de Lei 124/23 tramita na Câmara dos Deputados e já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça. O texto prevê a redução de jornada de pelo menos duas horas diárias, podendo chegar a até 50%, para trabalhadores que tenham vínculo de cuidado indispensável com pessoas com deficiência, sem redução de salário.

Enquanto o projeto não é sancionado como lei, ele ainda não pode ser usado como base legal direta em um pedido, mas mostra a tendência de reconhecimento desse direito e reforça os argumentos já aceitos pela Justiça do Trabalho com base em outros princípios.

Como pedir a redução de jornada

Alguns passos ajudam a formalizar o pedido dentro da empresa:

  • Reúna laudos médicos que comprovem a condição do filho e a necessidade de cuidado constante
  • Formalize o pedido por escrito, seja por e-mail ou requerimento ao RH
  • Proponha alternativas, como banco de horas, home office parcial ou horário de entrada e saída flexível
  • Guarde cópias de tudo que for enviado e recebido da empresa

Se a empresa aceitar informalmente, o ideal é registrar o novo acordo por escrito, para evitar problemas no futuro.

A empresa pode negar ou demitir por causa do pedido

A empresa pode, em tese, negar o pedido informal de redução de jornada, já que ainda não existe uma lei federal que obrigue automaticamente essa concessão no setor privado. Nesse caso, o caminho é buscar a Justiça do Trabalho, apresentando laudos e provas da necessidade de cuidado.

Já a demissão como forma de retaliação por causa do pedido, ou motivada preconceituosamente pela condição do filho do trabalhador, pode ser considerada discriminatória e gerar direito a indenização por danos morais, além da reintegração em alguns casos específicos analisados pela Justiça.

Pai trabalhando em home office ao lado de material de terapia infantil
Home office parcial e horários flexíveis são alternativas frequentemente aceitas pelas empresas.

Perguntas frequentes

Já existe lei federal garantindo jornada reduzida para pais atípicos no setor privado?

Ainda não. O que existe hoje são decisões judiciais caso a caso, baseadas na Lei Brasileira de Inclusão e no princípio da dignidade da pessoa humana, além de um projeto de lei em tramitação no Congresso.

O PL 124/23 já pode ser usado para pedir a redução de jornada?

Não diretamente, porque ainda não foi sancionado. Mas ele reforça o entendimento de que esse direito deve ser reconhecido e pode ser citado como argumento complementar em uma ação judicial.

Posso perder o salário se conseguir reduzir minha jornada?

Depende de como o acordo é formalizado. O projeto de lei em tramitação prevê redução sem perda salarial, e esse também costuma ser o entendimento buscado nas decisões judiciais que já reconhecem o direito.

O que fazer se a empresa negar meu pedido?

Reúna laudos médicos, formalize o pedido negado por escrito e procure orientação jurídica para avaliar se é possível buscar o reconhecimento do direito na Justiça do Trabalho.

Precisa de ajuda para garantir esse direito?

Se você é pai ou mãe de um filho com deficiência e enfrenta dificuldade para conciliar o cuidado com a rotina de trabalho, não espere a situação se tornar insustentável. A equipe da RINA Advogados pode avaliar o seu caso e orientar os próximos passos.

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