Enfermeira conduzindo cadeira de rodas em corredor de hospital

Piso da Enfermagem no STF: O Que Está em Julgamento e o Que Muda para Você

🕒 Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O piso salarial da enfermagem voltou ao centro do debate. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, no plenário virtual, o julgamento da ADI 7222, que define como o piso criado pela Lei 14.434/2022 deve ser aplicado. Segundo a imprensa, a votação deve terminar em 3 de novembro de 2026.

Se você é enfermeiro, técnico, auxiliar ou parteira, esta decisão pode afetar diretamente o seu salário. Veja o que está em jogo e como se proteger.

Sumário

  • Quais são os valores do piso
  • O que o STF está decidindo
  • Por que a jornada importa
  • O que muda para quem trabalha em hospital privado
  • O que fazer se o piso não é pago
  • Perguntas frequentes

Quais são os valores do piso

A Lei 14.434/2022 fixou o piso nacional da enfermagem em:

  • Enfermeiros: R$ 4.750;
  • Técnicos de enfermagem: 70% desse valor, ou R$ 3.325;
  • Auxiliares de enfermagem e parteiras: 50%, ou R$ 2.375.

Esses valores podem ser ajustados proporcionalmente à jornada de trabalho, ponto que está no centro do julgamento.

Enfermeira conduzindo cadeira de rodas em corredor de hospital
O STF julga como o piso da enfermagem deve ser aplicado a quem atua em hospitais públicos e privados.

O que o STF está decidindo

Em 2022, a aplicação do piso foi suspensa por falta de estimativa do impacto financeiro. Depois, o Congresso aprovou medidas para viabilizar o pagamento e o governo abriu um crédito especial de R$ 7,3 bilhões. Uma decisão posterior liberou o pagamento com condições:

  • no setor público, limitado aos repasses da União;
  • no setor privado, precedido de negociação coletiva.

Agora, o plenário discute os detalhes. Pelo que foi noticiado, até o momento três ministros votaram a favor do piso, mas com divergências sobre:

  1. Jornada de referência: a proposta é usar 40 horas semanais para o pagamento integral;
  2. Quem paga a diferença: há proposta para que a União cubra a diferença salarial, mas não encargos, FGTS e adicionais de insalubridade e periculosidade;
  3. Negociação coletiva: há votos que exigem negociação antes e outros que levam o impasse ao dissídio coletivo na Justiça do Trabalho;
  4. Entidades filantrópicas e hospitais com atendimento SUS: o alcance da ajuda federal ainda divide os votos.

O resultado ainda não é definitivo. Qualquer ministro pode pedir vista ou destaque, o que adiaria a conclusão.

Por que a jornada importa

Se o STF fixar 40 horas semanais como referência, quem trabalha menos pode receber valor proporcional. Por exemplo, em uma jornada de 30 horas semanais, o piso de um técnico seria proporcional a essa carga.

Muita gente na enfermagem trabalha em escalas como a 12×36. Essa escala tem média semanal próxima de 36 horas, e o cálculo proporcional pode gerar discussão. É um ponto que deve ser acompanhado de perto.

Importante: reduzir jornada ou salário para “caber” no piso não é permitido sem o cumprimento das regras legais. Redução salarial exige previsão em norma coletiva e respeito ao princípio da irredutibilidade (art. 7º, VI, da Constituição).

Duas enfermeiras sorrindo em quarto de hospital
Profissionais da enfermagem aguardam a definição do STF sobre o piso.

O que muda para quem trabalha em hospital privado

No setor privado, o ponto principal é a negociação coletiva. O sindicato da categoria é quem negocia com os hospitais. Se não houver acordo, pode ser necessário o dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.

Por isso, vale:

  • acompanhar as assembleias do sindicato;
  • conferir o holerite e comparar com os valores do piso;
  • guardar contracheques e contrato de trabalho;
  • verificar se o hospital já aplica o piso integral ou parcialmente.

O piso não é “gratificação”: ele é o salário mínimo da categoria. Adicionais como insalubridade, noturno e horas extras devem ser pagos além dele, conforme as regras gerais da CLT, ressalvada a discussão sobre custeio com a União.

O que fazer se o piso não é pago

  1. Confira seu holerite e compare com a faixa do seu cargo.
  2. Procure o sindicato da enfermagem da sua região.
  3. Registre pedidos por escrito ao RH, guardando as respostas.
  4. Fale com um advogado trabalhista para avaliar diferenças salariais e reflexos.
  5. Atenção ao prazo: você pode cobrar os últimos 5 anos, mas deve ajuizar a ação em até 2 anos após sair da empresa.

Se houver diferença salarial devida, ela reflete em férias com 1/3, 13º, FGTS e horas extras.

Perguntas frequentes

Quanto é o piso da enfermagem?

Enfermeiros: R$ 4.750. Técnicos: R$ 3.325. Auxiliares e parteiras: R$ 2.375, conforme a Lei 14.434/2022. Os valores podem ser proporcionais à jornada.

O STF já decidiu de forma definitiva?

Ainda não. O julgamento da ADI 7222 foi retomado no plenário virtual e, segundo a imprensa, deve terminar em 3 de novembro de 2026, podendo ser adiado por pedido de vista.

Hospital privado pode deixar de pagar o piso?

No setor privado, a aplicação depende de negociação coletiva prévia. Mas isso não autoriza a empresa a ignorar o tema. Procure o sindicato e um advogado.

Posso ter o salário reduzido por causa do piso?

Não sem respeitar a lei. A redução salarial exige previsão em norma coletiva, e a empresa não pode fazer isso por conta própria.

Posso cobrar valores retroativos?

Dependendo do caso e do que for decidido, sim. Pode haver diferenças a receber, respeitado o prazo de prescrição de 5 anos.

Precisa de ajuda?

Se você passa por essa situação, fale com o RINA Advogados. Analisamos o seu caso, calculamos o que você tem a receber e defendemos os seus direitos. A atuação é exclusiva em defesa do trabalhador.

Chame a equipe do RINA Advogados pelo site rina.adv.br e conte o que aconteceu.

Passou por essa situacao? Fale com um advogado agora!

Consulta gratuita e sem compromisso. Atendimento rapido pelo WhatsApp.

📨 Consultar pelo WhatsApp
⚖️ Precisa de ajuda com seu caso trabalhista?

A RINA Advogados tem mais de 12 anos de experiência em Direito do Trabalho e ⭐ 4,9 estrelas em mais de 390 avaliações. Consulte um especialista agora.

  • Receba sua
    consultoria de advogados especializados

  • Posts recentes

  • Arquivos

  • Tags