Operadoras de telemarketing trabalhando com headsets em central de atendimento

Grávida Orientada a Vomitar em Lixeira: TST Fixa R$ 30 Mil e Reforça Direitos no Call Center

🕒 Tempo estimado de leitura: 4 minutos
Operadoras de telemarketing trabalhando com headsets em central de atendimento
Operadoras de call center têm direito a pausas e ao uso do banheiro.

Uma decisão da Sétima Turma do TST, divulgada em 21 de outubro de 2026, chamou atenção: uma operadora de telemarketing grávida teve o uso do banheiro controlado e, em um episódio de enjoo, um supervisor levou uma lixeira para o posto dela para que vomitasse sem parar de atender. A indenização subiu para R$ 30 mil.

O que aconteceu no caso

A trabalhadora atuou entre junho de 2018 e fevereiro de 2019 para a Vikstar Contact Center, prestando serviço a clientes da Telefônica (Vivo). Segundo o processo:

  • Precisava de autorização do supervisor para ir ao banheiro.
  • Não podia ficar mais de cinco minutos longe do posto.
  • Era ameaçada de desconto no salário se passasse do limite.
  • Durante a gravidez, tinha náuseas e vômitos frequentes.

A sentença havia fixado R$ 10 mil de danos morais. O TRT reduziu para R$ 5 mil. O TST elevou para R$ 30 mil, em decisão unânime, relatada pela ministra Margareth Costa.

Mulher grávida trabalhando com notebook em ambiente confortável
A gravidez exige proteção reforçada à saúde e à dignidade da trabalhadora.

O que disse o TST

Para a relatora, a empresa foi além do seu poder de organizar o trabalho. A conduta violou a intimidade e a dignidade da trabalhadora e sacrificou sua saúde física e psicológica em nome de metas de produtividade. A gravidez foi tratada como fator que agrava a violação.

As empresas negaram as restrições e disseram que só souberam da gravidez depois do processo. A Vivo afirmou repudiar violações de direitos e que não tem contrato com a Vikstar há mais de cinco anos. A decisão ainda não é definitiva e cabe recurso.

O que isso significa para quem trabalha em call center

  • A empresa pode organizar pausas, mas não pode impedir o uso do banheiro nem punir por necessidades fisiológicas.
  • A NR-17, no anexo de teleatendimento, prevê pausas e condições adequadas. Veja nosso guia sobre direitos do operador de call center.
  • Gestantes têm estabilidade desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Entenda em estabilidade da gestante.
  • A empresa contratante (tomadora) pode ser responsabilizada subsidiariamente, como ocorreu com a Vivo no caso. Veja direitos do terceirizado.

Passo a passo se isso acontece com você

  1. Registre datas, horários e nomes de quem impôs a regra.
  2. Guarde mensagens, escalas e advertências por escrito.
  3. Procure testemunhas entre os colegas.
  4. Em caso de gestação, comunique a empresa e guarde o comprovante.
  5. Busque orientação jurídica. Veja também como provar assédio moral.

Também há um caso semelhante em nosso blog sobre acesso ao banheiro e indenização.

Perguntas Frequentes

Empresa pode proibir operador de ir ao banheiro?

Não. Ela pode organizar pausas, mas restringir o uso do banheiro de forma abusiva ou punir por isso pode gerar indenização por danos morais.

Quanto o TST fixou de indenização no caso da grávida?

R$ 30 mil, aumentando valores anteriores de R$ 10 mil (sentença) e R$ 5 mil (TRT). A decisão ainda cabe recurso.

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